Jesus Cristo, Homem e Deus verdadeiro

001Introdução

 

Muitas vezes por não termos um adequado conhecimento da doutrina católica, reduzimos a nossa piedade e o nosso enlevo pela vida sobrenatural, quando o não, pela própria Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois não damos o verdadeiro valor ao mistério de sua Encarnação. E se não tomamos cuidado nos deixamos levar por doutrinas enganosas que procuram tirar a visão grandiosa que todo católico deve ter da Pessoa do nosso Redentor. É esse o motivo deste artigo, ajudar a tomarmos conhecimento da Grandeza de Nosso Senhor Jesus Cristo e por meio disso aumentarmos a nossa piedade, como também podermos defender a nossa fé.

Mais cedo ou mais tarde a todo católico se põem algumas perguntas. A natureza humana de Nosso Senhor Jesus Cristo, é adorável? Isto é, por exemplo, posso eu voltar-me a Ele e sobrenaturalmente oscular os seus pés e adorá-los, como os pés de Deus? Qual a relação que devo ter eu com Ele? Qual o ato de reverência que devo demonstrar-lhe e prestar-lhe? Qual a relação, portanto, que tem o Santíssimo Sacramento do Altar e eu?

Alguns fiéis por não conhecerem adequadamente a doutrina sobre a Graça de União que Cristo possui, têm uma fé incompleta e não fazem, por isso, progressos de amor e adoração em relação à Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Essas perguntas hoje em dia podem ser vistas com repulsa para muitos, ou o que é pior, vistas com indagações de uma fé primária que não evoluiu nos “conhecimentos” teológicos, e que por sua vez tais perguntas não são dignas de crédito. Porém ao responde-las mostraremos que não só são elas cabíveis, como também solucionando-as cai por terra a doutrina naturalista, igualitária e reducionista, que hoje em dia muitos teólogos sustentam, considerando Jesus apenas como um revolucionário social que veio a este mundo só para salvar os oprimidos e marginalizados.[1]

 

  1. O exemplo de uma heresia: O Adocionismo

A primeira sentença que devemos rejeitar é que a Nosso Senhor deve-se atribuir uma dupla filiação; a primeira como Deus, Filho Natural, e a segunda como homem, filho adotivo. Tal heresia foi apregoada em fins do século VIII por Elipando de Toledo (+ 802) e por Felix de Urgel (+ 816). Essa heresia se intitula adocionismo, e foi combatida sobretudo pelo teólogo franco Alcuino.

Ela foi condenada com a própria censura de uma antiga heresia já existente, o nestorianismo. O papa Adriano I (772-795) condena o adocionismo numa de suas cartas doutrinais, acusando-a de uma renovação dos erros nestorianos, o que foi confirmado no Concílio plenário de Frankfurt (794) em presença do Imperador Carlos Magno, tendo como texto do Concílio esta sentença: “o filho nascido da Virgem era verdadeiro Deus e não podia ser considerado, portanto, como filho adotivo.” (D 615)

“Esta seita se levantou baixo o império de Carlos Magno, pelo ano 778. Com este motivo, Elipando, arcebispo de Toledo, consultou a Félix, bispo de Urgel, acerca da filiação de Jesus Cristo, e este bispo o contestou, que enquanto Deus, era verdadeira e propriamente Filho de Deus, gerado naturalmente pelo Pai; mas que Jesus Cristo enquanto homem ou filho de Maria, não era senão adotivo de Deus, decisão a que subscreveu Elipando. O papa Adriano, advertido deste erro, o condenou em uma carta dogmática dirigida aos bispos de Espanha.

[…] Félix se retratou, e depois voltou aos seus erros; Elipando, por sua vez, tendo enviado a Carlos Magno uma profissão de Fé que não era ortodoxa, fez esse príncipe reunir um Concílio em Frankfurt, em 794, no qual se condenou a doutrina de Félix e Elipando, o mesmo que no Concílio de Forli no ano de 795, e pouco tempo depois no Concílio celebrado em Roma sob o pontificado de Leão III.” (MORENO CEBADA, 1892, p.103, 104)

 

  1. O culto a Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo

Outra conclusão que a teologia chegou é que: o culto que se deve ao Homem-Deus, é o de látria absoluto que corresponde unicamente a Deus:

“A humanidade de Cristo veio a ser, pela união hipostática uma parte, em certo modo da pessoa do Logos e, por Ele, é adorada em e com o Logos. Ela é em si mesma objeto de adoração.” (OTT, 1997, p.253)

Uma prova do que acima ficou dito é que Nosso Senhor consentiu que as pessoas lhe prestassem tal culto, como O vemos na Sagrada Escritura aceitar as prosternações de joelho, que tinham um caráter de culto de adoração. (cf. Mt 28,9 e 17) Em São João 5, 23, Jesus reclama para si o culto que é devido ao Pai ao dizer “para que todos honrem ao Filho como honram ao Pai.” São Paulo também dá o mesmo testemunho ao afirmar em Filipenses 2, 10 “para que ao nome de Jesus se dobrem todos os joelhos” e na carta ao Hebreus 1, 6 testifica “Adorando-o todos os Anjos de Deus.”

E São Tomás o explica de forma caracteristicamente clara e brilhante:

“A adoração da carne de Cristo não significa senão a adoração do Verbo encarnado, assim como a reverência que se tributa às vestes reais não significa senão o respeito e submissão devidos ao rei que se veste das mesmas.” (S. Th. III, q.25, a. 2)

Alguns teólogos, dentre eles o Pe. Royo Marín, ao tratarem dessa adorabilidade do Homem-Deus denominam essa união intrínseca, que provem da união hipostática, de Graça de União. Essa graça existe pelo fato de que a união sobrenatural com Deus decorre da graça santificante. E os seres serão mais santos na medida que se unam mais com Deus, estabelecendo uma regra de três: maior graça, maior santidade, e vice e versa. Essa graça constitui a própria santidade substancial da humanidade de Cristo.

“Em virtude da união hipostática foi comunicada à humanidade de Jesus Cristo a santidade mesma do Verbo e é, por conseguinte, infinitamente santa, mesmo que prescindido da graça habitual ou santificante. […] A graça de união se estende a toda a humanidade de Cristo, ou seja, à alma e ao corpo.” (1961, p.70,72)

Dizendo de outra maneira, ao unir-se hipostaticamente com o Verbo de Deus, a humanidade Santíssima de Cristo (corpo e alma) ficou incorporada à mesma santidade do Verbo, não por uma informação do Verbo a humanidade de Cristo, mas sim em virtude do caráter substancial dessa união, isto recebe o nome de Graça de União. É por essa razão que a Igreja definiu que a própria carne de Cristo é Vivificante (D 123).

Porém um fato decorre disso. É que essa graça é única, e só existe na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, como nos diz o piedoso doutor Sauvé:

002“As coisas preciosas em si mesmas o são mais quando são raras. A graça de união é não tão somente rara, senão única […] esta graça é singular e incomunicável. […] A graça de união se estende a toda humanidade de Jesus. […] Do ato mais ordinário, por exemplo, do ato pelo qual cortava e ajustava em Nazaré um pedaço de madeira, devo crer que agradava soberanamente a Deus e que era infinitamente meritório. […] Cada contato de seu corpo era infinitamente santo. […] Cada um de seus movimentos era infinitamente santo. […] Cada gota de seu sangue é infinitamente santa. […] Cada um de seus sofrimentos ou de suas alegrias era infinitamente santo e capaz de santificar as alegrias ou os sofrimentos do mundo inteiro.” ( apud ROYO MARÍN, 1961, p.72-73)

Partindo dessas considerações teológicas, a piedade cristã foi com o passar do tempo, prestando cada vez mais o culto de latría à Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo uns, desde a Idade Média, mais salientados do que outros, como por exemplo a devoção às cinco chagas, ao preciosissímo sangue, à santa face, à cabeça dolorida do Redentor e sobretudo ao seu Sagrado Coração.

Porém a Igreja, para evitar abusos e extremos que poderiam ridicularizar a Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo – como por exemplo o culto as sobrancelhas de Nosso Senhor – não permite o culto público de cada uma das distintas partes da humanidade de Cristo, senão que unicamente as que se relacionam diretamente com a sua Pessoa e com os mistérios da encarnação. (cf. De Guibert, Documenta ecclesiastica christianae perfectionis apud ROYO MARÍN,1967)

O fundamento dogmático de tal adoração – sobretudo ao Sagrado Coração – teve sua origem numa mística alemã da Idade Média, e se baseia no dogma da união hipostática. O papa Pio VI assim declarou: que o Coração de Jesus era adorado, não separadamente ou desligado da divindade senão como o Coração da Pessoa do Verbo, com a qual se acha inseparavelmente unido. (Dz 1563)

Tal devoção encontrou seu maior realce após as revelações feitas pelo próprio Sagrado Coração a Santa Margarida Maria Alacoque, e foi ainda mais propagada após as encíclicas Miserentissimus Redemptor (1928) e Caritate Christi compulsi (1932), de Pio XI, e Haurietis aquas (1956), de Pio XII.

 

Conclusão

Acabamos por ver brevemente qual o culto e a devoção que devemos ter à Pessoa adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo, esperando que este artigo mais do que um mero acréscimo intelectual, produza isto sim um maior desejo de entrega a esse Coração que tanto amou o mundo, como Ele mesmo disse a Santa Margarida Maria Alacoque, e que robusteça a nossa fé ao culto de adoração que se deve ao Homem-Deus.

 

Pe. Millon Barros, EP

Bibliografia

 

AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. Tradução de Alexandre CORREIA. São Paulo: Faculdade de Filosofia “Sedes Sapientiae”, 1954.

BÍBLIA Sagrada. Tradução de Antonio Pereira de FIGUEIREDO. Lisboa: Great Britain, 1931.

MARÍN, Antonio Royo. Jesucristo y la Vida Cristiana. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1961.

MORENO CEBADA, Emilio D. Historia de las herejías. Barcelona: Imprenta de Ramón Inglanda, 1892.

OTTO, Ludwig. Manual de Teología Dogmática. 7.ed. Barcelona: Herder, 1997.

 

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[1] v. gr. BOFF, Leonardo. Igreja: carisma e poder, 3ª ed., Petrópolis: Vozes, 1982.

FEBRIS, Reginaldo. A opção pelos pobres na Bíblia, São Paulo: Ed. Paulinas, 1991.

MATEOS, Juan. A utopia de Jesus, São Paulo: Paulus,1994.

NEUTZLING, Inácio. O reino de Deus e os pobres, São Paulo: Ed. Loyola, 1986.

PIXLEY, Jorge & BOFF, C. Opção pelos pobres, Petrópolis: Vozes, 1986.

VIGIL, José Maria (Org.). Opção pelos pobres hoje, São Paulo: Ed. Paulinas, 1992.

FERREIRA, Francisco A. As bem – aventuranças de Jesus. São Paulo: Santuário, 1999.

A divindade de Jesus comprovada por suas próprias doutrinas

Tendo chegado Nosso Senhor aos trinta anos, deu início à sua vida pública, na qual se apresentou como Enviado do Pai, Messias prometido e Filho de Deus. Tudo isso Ele provou magistralmente, com a sua doutrina e com os vários milagres que ficaram registrados nas páginas dos Evangelhos.

 

No Evangelho de São Marcos, após pronunciar o grande Sermão da Montanha – um verdadeiro exemplo da grandeza, sublimidade e novidade da doutrina ensinada por Ele, encontramos uma pequena passagem na qual Nosso Senhor nos diz: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição.” (5, 17). Ora, quem somente pode levar a lei e os profetas à perfeição é um Deus, pois a nenhuma criatura humana é possível tornar algum outro perfeito; com maior razão só Ele, o Homem-Deus, poderia levar a Lei e os profetas à perfeição.

Já no Evangelho de São João, Ele mesmo se proclama a “Luz do Mundo” (8, 12), “o Caminho, a Verdade e a Vida” (14, 6). E em outra passagem diz que “Comigo está o Pai que me enviou” (8, 16). Como nos explica Bartmann:

“Indubitavelmente muitíssimas vezes diz Jesus ter sido mandado pelo Pai, mas, por causa da sua unidade com o Pai, vem e fala também no próprio nome, invocando a própria dignidade e autoridade. O que diz, Ele o vê e sente na divindade. Sua doutrina não se deriva da fé recebida de alguém que está mais alto, tampouco é recebida e descoberta com a reflexão; mas vem de Deus, por imediata visão da sua essência. Ele haure-a na própria fonte interior. ‘Nós falamos do que sabemos e testemunhamos o que temos visto’ (Jo 3, 11). O profeta diz: Assim fala o Senhor; mas Cristo: ‘Eu vos digo…’ ‘Quem conhece e possui o Filho conhece e possui o Pai.’” (Jo 8, 19; 14, 9). (1962, p. 114)

Em meio ao barbarismo existente naqueles povos antes da vinda de Nosso Senhor, a fim de manter a ordem no povo eleito, encontramos uma passagem, pela qual nos fica claro que raças existiam naquela época: “Se um homem ferir o seu próximo, assim como fez, assim se lhe fará a ele: fratura por fratura, olho por olho e dente por dente; ser-lhe-á feito o mesmo que ele fez ao seu próximo” (Lv 24, 19-20). Ou seja, o criminoso seria punido da maneira igual ao dano causado a outrem; a punição seria equivalente ao erro cometido. Entretanto, com o advento de Nosso Senhor à terra, em meio à maravilhosa doutrina ensinada por Ele, encontramos uma passagem bem diferente desta:

“Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito. (Mc 5, 38. 43-44. 46-48)

Realmente é bem diferente da passagem do Levítico, pois agora não seria mais “olho por olho, dente por dente”, mas a nova lei que Nosso Senhor nos veio ensinar: o amor ao próximo, e mais ainda, o amor à perfeição: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” Eis aí outra prova da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo: quem havia revelado os preceitos do Levítico a Moisés foi o próprio Deus; e Nosso Senhor sobrepôs à lei do Levítico – como vimos acima, a lei da perfeição: somente um Deus-Filho pode mudar as leis proferidas à Moisés pelo Deus-Pai.

Todas as palavras saídas dos lábios de Jesus eram impregnadas de uma sabedoria e de uma autoridade sobre-humanas: “Jamais homem algum falou como este homem!” (Jo 7, 46). Eis aí mais uma prova da divindade de Nosso Senhor, pois como nos diz Salim“os judeus, que reservavam o apelativo de “rabbi” – mestre, aos escribas que transmitiam uma doutrina, não o negavam também a Nosso Senhor Jesus Cristo.[1] Mais que isso, reconheceram no seu ensino uma autoridade incomparável: ‘porque ele ensinava como quem tinha autoridade, e não como os escribas e os fariseus.[2]’”

Portanto, Nosso Senhor ensinava com uma autoridade tal que os próprios judeus o reconheceram como rabbi, mesmo não o sendo juridicamente.

Entretanto, a maior prova do seu magistério como Deus feito Homem era a perfeita harmonia da sua doutrina com a sua vida. Assim diz Bartmann:

“Jesus procura inserir sua doutrina na vida dos ouvintes e incessantemente os exorta a realizá-la: ‘A luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.’ (Jo 3, 19. 21); ‘Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se a minha doutrina é de Deus ou se falo de mim mesmo’ (Jo 7, 17). Por primeiro dá o exemplo de perfeita observância do que Ele ensina; por isso, convida os seguidores a aprender, não somente de suas palavras, mas também do seu modo de agir, de suas ações: ‘Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós’” (Jo 13, 15). (1962, p. 117)

Assim, concluímos que a doutrina pregada pelos Apóstolos e pela Igreja não é senão a doutrina ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo: verdade e santidade. Essa doutrina possui uma harmonia maravilhosa, uma beleza, uma grandeza, uma evidência sempre crescentes a todos que dela se aproximam. Podemos, então comprovar que as doutrinas próprias do cristianismo, os dogmas, os segredos da natureza divina revelados à humanidade, não são produzidos por nenhuma ciência humana ou concepção filosófica, mas têm uma fonte divina; que a pureza de sua moral, a sublimidade dos mistérios, a dignidade do sacerdócio, a majestade do seu culto e de suas cerimônias se levantam tão alto, que se existe uma religião verdadeira sobre a terra, esta só pode ser a Católica, pregada por Jesus de Nazaré, o Verbo feito carne que habitou entre nós. (Cf Jo 1, 14)

Por Pe. Felipe Isaac Paschoal Rocha, EP

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARTMANN, Bernardo. Teologia Dogmática. São Paulo: Paulinas, 1962. v. 2.

Bíblia Sagrada. 94. ed. São Paulo: Ave-Maria, 1995.

SALIM, Emílio José, Pe. Sciencia e Religião. São Paulo: Escolas Profissionais Salesianas, 1934.


[1] “Nisto aproximou-se dele um escriba e lhe disse: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores” (Mt 8, 19); “Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre” (Mt 12, 38).

[2] “Com efeito, ele a ensinava como quem tinha autoridade e não como os seus escribas” (Mt 7, 29)