O Segredo da Felicidade

Catedral de Santiago Menor en Liege. Por Genaro Perez Villaamil - Museu de Belas Artes - La Coruna - Espanha
Catedral de Santiago Menor en Liege. Por Genaro Perez Villaamil – Museu de Belas Artes – La Coruna – Espanha

Desde que Adão e Eva foram expulsos do paraíso, o homem vive sempre se perguntando: – Quem não ama sua vida procurando ser feliz todos os dias? (Cf. Sl 33, 13) De fato, no momento de sua concepção, Deus infunde na alma humana o desejo da felicidade. Como nos diz o grande Santo Agostinho, “todos os homens querem viver felizes, e não existe no gênero humano pessoa que não concorde com esta afirmação”.[1]

No paraíso Deus havia concedido ao homem o “dom de integridade”, o qual, juntamente com a Graça, lhe dava total alegria e plena felicidade. Esse dom proporcionava ao homem a completa ordenação: a fé iluminava sua inteligência, à qual estava subalterna a vontade, inibindo assim impulsos e ações meramente instintivas.

Com o pecado original, Adão e Eva perderam o dom de integridade, bem como seus descendentes. Assim, o homem vive numa constante luta, para controlar sua vontade, que sendo inferior a inteligência e a fé, não está mais a elas subjugada. A vontade que antes obedecia em tudo a sua inteligência, agora segue seus próprios caprichos.

O Criador ao dar uma ordem a Adão era prontamente obedecido, e este a executava com a maior docilidade. Mas então, por que Adão e Eva comeram do fruto que Deus havia proibido, uma vez que possuíam o dom de integridade?…

Deus ao proibir Adão e Eva de comerem do fruto, disse: “Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que deles comeres, morrerás indubitavelmente.” (Gen. 2,16-17). O demônio porém, em forma de serpente, enganou a mulher dizendo: – “Oh, não; vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.” (Gen. 3,4-5) Com isso, despertou a curiosidade em Eva: “A mulher, viu que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e muito apropriado para abrir a inteligência.” E assim continua: “tomou dele, comeu, e o apresentou ao marido que comeu igualmente.” (Cf. Gen. 3, 6) Neste instante, lhes “caem as escamas” dos olhos. Foram os primeiros a constatar que com o pecado, o demônio não dá o que promete.

Comendo o fruto, aderiram ao mal, abraçaram a malícia, fruto do pecado. Comeram para alargar sua inteligência, que se fechou a ponto de não conseguirem dominar mais sua própria vontade. Eram felizes no paraíso, pois cumpriam inteiramente com a finalidade para qual todo homem foi criado: conhecer, amar e servir a Deus.

Imaginemos um pássaro que possua uma asa torta. Se ele fosse inteligente, passaria sua existência na angustia de nunca ter voado. Poderia ter sido feliz? Não, pois não cumpriu com a sua finalidade que é voar. Isso foi o que ocorreu com os nossos primeiros pais. Eva ouvindo a voz da serpente insuflada pelo demônio, sucumbiu à tentação, certa de encontrar a felicidade no pecado. Foram então expulsos do paraíso tornando-se inclinados ao mal e sujeitos ao erro, passando a apresentar toda a sua vida como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas.

Fora de sua finalidade, o homem não têm felicidade, pois este desejo é de origem divina. Deus o colocou no coração humano, a fim de atraí-lo a si, pois só Ele pode satisfazer essa sede.[2] O demônio, sendo o pai da mentira, promete a felicidade com o pecado. Este entretanto, traz apenas uma fruição momentânea, e em seguida uma enorme frustração.

Desde então, o homem passou a tirar seu sustento da terra, com trabalhos penosos, todos os dias da sua vida. (Cf. Gn. 3, 17) Estabeleceu-se na alma humana uma necessidade de sofrer, pois sem isso o homem fecha-se em si mesmo, não lembrando mais da bondade e da dependência que tem em relação ao Criador. O sofrimento, então, assume um papel fundamental e insubstituível na vida humana depois do pecado original, pois nos coloca diante de Deus como seres contingentes, e nos faz recorrer a Ele.

Ao se tirar o gesso de um braço quebrado, é necessário submeter-se a uma série de seções de fisioterapia para voltar ao pleno funcionamento. Se o membro não se exercitar pode acabar definhando. porém, esse esforço nem sempre é agradável.

Se o exercício, o sofrimento, é necessário para um braço, quanto mais para a alma humana se desenvolver e recuperar aquilo que perdeu com o pecado! Quem foge do sofrimento, acaba sofrendo mais do que aquele que carrega sua Cruz. Existe na alma humana o que São Tomás denomina de “sofritiva”, que consiste numa necessidade de sofrimento, por uma finalidade sobrenatural, com vistas a purificar e santificar a alma.

O maior de todos os exemplos é o Homem Deus. Estando unido à Pessoa do Verbo e conhecendo tudo, viu num só relance todos os ultrajes e padecimentos pelos quais passaria durante sua Paixão, a ponto de dizer o evangelista que Nosso Senhor sentiu aversão, pavor, tristeza e abatimento. (Cf. Mt 26,38) Antes mesmo dos algozes O tocarem, após verter abundantemente seu preciosíssimo sangue adorável, diante do oceano de dores que o esperava, profere esta sublime súplica: -“Meu Pai, se for possível afaste-se de mim este cálice. Mas faça-se a Vossa vontade e não a minha.” (Mt 26,39)

Concluiríamos que o Redentor pede clemência a Deus Pai, para ajudá-Lo no caminho do Calvário a suportar a enormidade da Cruz que haveria de carregar. Mas “faça-se a Vossa vontade e não a minha”, pois uma coisa que Ele não faria, era abandonar a Cruz. Se for a vontade do Pai, pegaria a Cruz, oscularia e a levaria até o fim.

Ao contrário do que nosso caro leitor poderia esperar com o título desse artigo, não apresentamos uma fórmula mágica de ser feliz para sempre, o famoso “final feliz” que costumamos ver nos filmes, mas o segredo da verdadeira e única felicidade possível nesse vale de lágrimas: o sofrimento aceito por amor a Deus, e o cumprimento de sua divina vontade.

A vida nesta terra sem o sofrimento, é uma funesta ilusão que acaba com a morte, pois se Deus sofreu por nós, porque seríamos covardes e fugiríamos diante de nossas cruzes, tão menores que a d’Ele? Nossa Senhora de Lourdes disse a Santa Bernadete: “Te prometo felicidade, mas não nesta terra.”

Não temos o que temer, Deus conhece nossa fragilidade e olha as nossas aflições. Por isso deu-nos a melhor de todas Advogadas, sua própria Mãe! Peçamos a Nossa Senhora, Causa de nossa alegria, que nos dê coragem para responder “sim” como Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto das Oliveiras, para galgar o nosso calvário e alcançarmos a felicidade eterna com Ele nos Céus.

 

Nossa Senhora da Vitória. Por Juan de Figueroa - Santuário de Santa Maria da Vitória - Málaga - Espanha
Nossa Senhora da Vitória. Por Juan de Figueroa – Santuário de Santa Maria da Vitória – Málaga – Espanha

 

Pe. Lucas Antonio Pinatti, EP

[1] Cf. AGOSTINHO, Mor. eccl. 1,3,4: PL 32, 1312.

[2] CATECISMO Igreja Católica: SP, Loyola, 2000. p. 469

Por la “luz” veremos la “Luz”

“Vanos son por naturaleza todos los hombres, en quienes hay desconocimiento de Dios, y que a partir de los bienes visibles son incapaces de ver al que es; no por consideración de las obras conocieron el artífice” (Sab 13,1).

Santo Tomás de Aquino en su Summa contra los gentiles (Cfr. Suma contra los Gentiles. lib. 1, c. 4)[1]; nos explica que la búsqueda del supremo bien, de la suprema verdad; en resumen, la búsqueda de Dios, es algo que ha obsesionado al hombre desde el comienzo de la humanidad, porque  la felicidad última del mismo  parece estar unida al descubrimiento de ese Ser del cual procede: In ipso enim est ultima perfectio rationalis creaturae, quia est ei principium essendi, intantum enim unumquodque perfectum est, inquantum ad suum principium attingit (Summa Theologiae,Iª, q. 12, a.1, 1 co)[2].

Por otra parte se observa que la gran dificultad que el hombre tiene para alcanzar lo anterior, radica en el hecho que a Dios no se le puede ver, no se le puede tocar, ni conocer en su esencia (Summa Theologiae, Iª, q. 12, a.1, arg 3)[3]; para resolver este problema el Doctor Angélico señala en la Summa Teológica que el hombre “es capaz  de alcanzar a Dios” por medio de la admiración de las cosas creadas: In ipso enim est ultima perfectio rationalis creaturae, quia est ei principium essendi, intantum enim unumquodque perfectum est, inquantum ad suum principium attingit. Similiter etiam est praeter rationem. Inest enim homini naturale desiderium cognoscendi causam, cum intuetur effectum; et ex hoc admiratio in hominibus consurgit (Summa Theologiae Iª, q. 12, a.1, 1 co)[4].

La razón del hombre no puede percibir las “esencias” de las cosas sino los “sensibles”  que son objetos de los sentidos. Existen los sensibles propios de cada sentido; los sensibles comunes que son aquellos que son percibidos por todos los sentidos externos e internos (por ejemplo: el movimiento, la dimensión); y los sensibles accidentales que son captados sólo por los sentidos internos especialmente por la cogitativa, (por ejemplo: la vida). Santo Tomás señala que para conocer a ese Ser-Dios, existen dos caminos: la analogía, que es el espejo de la creación o simbolismo, que consiste en buscar las huellas del creador y las creaturas; y la otra, por negación,  esto es, llegar a lo Absoluto por la eliminación, por ejemplo: viendo una persona que es un bandido, se dice: “Dios no puede ser así”. Para hacer analogía, el hombre necesita de algo sensible que lo lleve a  comprender esa realidad, que parece estar escondida (Summa Theologiae Iª, q. 12, a.2, ad 3)[5].

Como veníamos diciendo, el hombre está en una búsqueda constante de lo Absoluto, debido a que cree que la felicidad radica en conocer el principio de su ser; y que a pesar de que la distancia entre uno y otro parece insalvable; el hombre, se cree capaz de conocer a Dios por los sentidos. Como dice el Libro de la Sabiduría: “Vanos son por naturaleza todos los hombres, en quienes hay desconocimiento de Dios, y que a partir de los bienes visibles son incapaces de ver al que es, ni por consideración de las obras conocieron el artífice” (Sab 13, 1).

Este Dios que parece tan oculto e inaccesible para mucha gente, -incluso algunas, buscándolo infructuosamente en doctrinas, filosofías y libros durante toda la vida- no se da cuenta que lo puede encontrar en su diario vivir, en algo tan accesible como la naturaleza que lo rodea, inclusive, desde el patio de su casa. Por ejemplo: la belleza y proporción  de una flor; el movimiento majestuoso  de los árboles movidos por el viento;  la gracia y agilidad de un picaflor; la astucia de un gato cazando;  el esplendor de una fulgurante puesta de sol que con sus rayos de diferentes tonalidades dan una pálida idea del cielo al cual estamos todos llamados, también se podría decir que predispone nuestra alma hacia los grandes horizontes, el cual, no estamos acostumbrados a mirar en nuestro gris día a día.

Pe. Pablo Beorlegui, EP.


[1]Casi todos los problemas de la filosofía están ordenados para satisfacer este punto.

[2]  “Porque la felicidad última del hombre está en lo que es principio de su ser, ya que algo es tanto más perfecto cuanto más unido está a su principio”. (Traducción nuestra).

[3] “Praeterea, cognoscentis ad cognitum oportet esse aliquam proportionem, cum cognitum sit perfectio cognoscentis. Sed nulla est proportio intellectus creati ad Deum, quia in infinitum distant. Ergo intellectus creatus non potest videre essentiam Dei” “Entre el que conoce y el conocido es necesario que haya alguna proporción, pues lo conocido perfecciona al que conoce. Pero entre Dios y el entendimiento creado no hay proporción alguna, pues los separa lo infinito. Luego el entendimiento creado no puede ver a Dios”. (Traducción nuestra).

[4]  “Porque cuando el hombre ve un efecto, experimenta el deseo natural de ver la causa. Es precisamente de ahí de donde brota la admiración humana”. (Traducción nuestra).

[5] “Unde, sicut aliae formae intelligibiles quae non sunt suum esse, uniuntur intellectui secundum aliquod esse quo informant ipsum intellectum et faciunt ipsum in actu; ita divina essentia unitur intellectui creato ut intellectum in actu, per seipsam faciens intellectum in actu” “La esencia divina es su mismo ser. De ahí que, así como las formas inteligibles que no son su propio  ser se unen al entendimiento por algún ser con el cual lo informan y ponen en acto, así también la esencia divina se une  al entendimiento creado como algo conocido que hace que el entendimiento pueda conocer”. (Traducción nuestra).

Saudade de Jesus e Assunção de Maria

Nossa Senhora do Brasil, São Paulo
Nossa Senhora do Brasil, São Paulo

No Céu, em meio à felicidade suprema, aguardam todas as almas fiéis e amantes de Deus, o grande dia da Ressurreição, a fim de recuperarem seus corpos, dos quais a morte as separou como um dos trágicos efeitos do Pecado Original. O próprio Jesus quis passar por esse transe, a fim de realizar a Redenção através do sofrimento perfeito.
Maria Santíssima, por ser Co-redentora, teria experimentado as dores do falecimento? A esse respeito assim se expressou o nosso atual Papa, João Paulo II: “Esse final da vida que para todos os homens é a morte, no caso de Maria, a Tradição mais bem o chama de Dormição” (Homilia de 15/8/1979, em Castelgandolfo).
Morte ou Dormição, a Santíssima Virgem terá passado para a eternidade com santa sofreguidão, em busca de seu Divino Filho, pois ambos haviam vivido na mais perfeita harmonia e relacionamento familiar ao longo de trinta anos, nesta terra. Compreenderemos melhor a força da união estabelecida entre ambos, ao longo daquelas três décadas de vida oculta, quando a Providência nos fizer conhecer os mistérios da pequena — e quão grande! — história do dia-a-dia da Sagrada Família. Um único episódio nos permite fazer uma pálida idéia sobre o universo de amor havido entre Eles, inclusive com São José: a Perda e o Encontro. O entranhamento de mútua compreensão e benquerença era tal, que Maria ficou perplexa diante daquela atitude praticada por um Menino tão afetuoso, reto e submisso.
Sim, Eles três na intimidade se admiravam mutuamente, transcendendo os aspectos comuns e correntes da existência de todos os dias, à espera da plenitude perpétua da caridade. Nazaré, nas vinte e quatro horas, comportava o sono, trabalho e demais ocupações que conduziam a uma forçosa e ao mesmo tempo dolorosa separação. Acrescentemos os quinze anos de exílio nos quais viveu Nossa Senhora nesta terra, depois de ter visto seu Filho desaparecer entre as nuvens da Ascensão.
Foi a saudade desse convívio e o ardor de o reaver na totalidade de sua intensidade e perfeição, que levou Maria a subir ao Céu de corpo e alma.
“Com a Assunção da Virgem Maria começou a glorificação de toda a Igreja de Cristo, que terá seu cumprimento no dia final da História” (João Paulo II, Ângelus 21/8/1983), no qual todos os justos, de corpo e alma, viverão com a Sagrada Família no Céu.

(Editorial. Revista Arautos do Evangelho. Agosto de 2004. p. 5)